
Escrito a 03.Jan.2006
A revolta do tempo contra a evolução, o atraso macabro das cores que se arrastam todas ao mesmo tempo para trás, de retorno à antiga estrada que forma um tom cinzento e acaba por cobrir o ar.
Um lenço preto, que cobria a cara de uma criança, é esquecido, num parque infantil enferrujado de leves sons agudos que anunciam o segredo e mistério.
E lá se encontra, naquela estrada cinzenta, a criança, a criança com a cara destapada encostada a uma pequena estória. multiplicada por gerações anteriores, por fórmulas para fazer acontecimentos, conhecidas à nascença por cada um e esquecidas na velhice por todos.
O som da espera era infantil, agora é uma anunciação de imaginar outras fórmulas de acontecimento diferentes, neste momento o som é mais pessimista, mais realista e menos animado, que compõe um outro tipo de melodia. Uma melodia mais automática e menos trabalhada numa espera, o momento não voa e momentos depois esse próprio tempo continua numa revolta contra a sua própria evolução.
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