Thursday, June 30, 2011

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Trabalho inicialmente desenvolvido para os exercícios de auto-retrato da disciplina de desenho. O registo do processo de decalques acabou por tornar-se mais interessante do que o próprio resultado final. Adequei o trabalho à disciplina de Arte e Objecto de Arte cujo conceito está na relação da escultura, mais precisamente com o corpoescultura de Louise Bougeoise e da pintura expressionista abstracta, onde a valorização do gesto evidencio, pela sua repetição "infinita" de sete minutos e - quase sete segundos. Uma pequena ideia em desenvolvimento.

Coloco aqui algumas fotos e o link do trabalho pois não consegui importar o vídeo para este local, de qualquer das formas encontra-se num bom site: http://vimeo.com/25836538

Percurso - projecto






Estes registos pertencem à noite de ontem, a qual apliquei fisicamente uma ideia, - em pequena escala, - das muitas que me surgem, por vezes em sequência e sem necessidade aparente. Os post-its colocados numa das paredes da minha actual residência revelam isso.

Foi uma estratégia que adoptei para não me esquecer de certas ideias que me ocorrem espontaneamente enquanto leio um artigo interessante, ou desenvolvo um trabalho que entretanto nada tem de relacionado com essas tais ideias que então me ocorrem.

Esta, por exemplo, ocorreu de vários factores como o acumulado de post-its/ideias, o recente trabalho sobre a artista Janet Cardiff e por último e mais directamente ligado está o desenrolar do desenho quotidiano para a respectiva disciplina, para a qual desenvolvi vários pequenos grupos, em que num dos quais trabalhei com um jogo, normalmente de crianças, em que existem vários pontos enumerados num espaço de uma folha e, neste caso a criança, faz a sua ligação, construindo uma forma final.






















Este trabalho bidimensional satisfaz-me a vários níveis, sendo um trabalho que responde por si só, em termos da sua construção no espaço da folha, numa forma que se padroniza numa espécie de constelação que se "repete".

Apesar de aparentemente não ter nenhum tipo de interesse, para mim o facto destas linhas serem feitas por outras pessoas e não por mim, importa-me bastante, isto porque sinto o meu trabalho por terminado quando coloco os pontos no espaço, ou números, distribuídos pela folha. Quando sou eu que os interligo nunca me transmite esse lado de constelação como quando existe a intervenção do outro, pois, as linhas foram determinadas por mim e não por uma força exterior, nunca alcançando o lado transcendental. Admito que este trabalho é de carácter egoísta no sentido de eu querer desfrutar dele, mas ao pensarmos em todos os outros com mais atenção, esses todos também o são. Como ainda não descobri porquê a razão desse efeito em mim, da necessidade do outro neste trabalho, continuo conscientemente a percebê-lo como intuitivo, do mesmo carácter em que distribuo os pontos na folha que também o são feitos ao mesmo nível.

Deixando então este trabalho de lado, pois também está no seu começo, voltarei de novo ao "percurso". As suas ligações com o que falei anteriormente, são bastante evidentes: pontos no espaço que se seguem uns aos outros numa sequência determinada e que, neste caso, em vez de precisar de ser perseguida pelo olhar do observador, tratando-se de uma instalação, é necessário ser percorrida pelo espectador que passa a ser mais activo, primeiro porque a dimensão ultrapassa-o fisicamente e também porque envolve a aplicação de post-its em cada ponto em que a linha começa/termina incluindo inscrições que necessitam de uma aproximação física para serem lidas.

A ideia inicial para este tipo de trabalho, seria trabalhar com a linha(percurso), colocando objectos nele. Sendo os pontos de partida/chegada enumerados com uma "legenda" num post-it de uma ideia anterior que tive e que não sei para que serve, nem como apareceu, eu pretendo colocar as únicas "pistas" que me poderão levar ao caminho da resposta como e porquê, rodeando-me dos objectos e referências que julgo terem sido importantes, ou não, que proporcionaram o surgimento dessas ideias, numa espécie de assemblage e ao mesmo tempo mapa de referências de um momento específico. A minha intenção principal não é realmente descobrir o porquê, pois isso realmente não me interessa pelas suas probabilidades perderem-se no tempo e no espaço e em conjuntos de várias realidades que se cruzam nos processos activos. A questão que me impele neste trabalho é por enquanto a exploração de todas estas ideias.

Neste registo fotográfico, pelas características espaciais e atendendo ao facto de trabalhar as ideias como objectos, nos post-its, a colocação de papéis colados no fio, que marcam, numa espécie de mapa/maquete os locais de fixação do suposto objecto/referência particular ausente, satisfez-me pois acabo por trabalhar ao nível da ideia - abstracto, tendo a vantagem de transportar para o percurso alguns objectos que muito dificilmente o conseguiria, o que neste caso seria para mim algo que faria o trabalho terminar por aí pois apesar de não procurar saber a origem da(s) ideia(s), algo o qual pretendo ter rigor é na verdade do momento, na verdade da ideia, pois ela não existe sem a presença do seu mundo.

Se Janet Cardiff trabalhava com o som, aqui a palavra é tão leve como o mesmo. Enquanto o trabalho dela foca-se numa espécie de "manipulação" do espectador a viver elementos fictícios que ela constrói para se entrelaçarem na realidade, eu pretendo misturar uma outra realidade, mas que já aconteceu um dia... ou melhor, a captação do momento fugaz, assim como os impressionistas faziam, mas neste caso das cores que pintam as ideias, ou seja, dos elementos que a descrevem mais do que ela própria. A intenção não é confundir, mas construir um percurso com elementos ausentes/evocativos numa espécie de cenário que envolve as ideias que por fim se transformam num auto-retrato mais fiel possível através de elementos que me ultrapassam tanto física como intelectualmente.

Performance/Instalação "Microcosmos Capilar"

Este foi um trabalho desenvolvido para o anual evento Caldas Late Night, que ocorre há 15 anos nas Caldas da Rainha, tendo sido originalmente uma necessidade dos alunos da ESAD exporem os seus trabalhos sem limites que a escola impõe. Desta forma resolvi em participar através de uma ideia que me ocorreu de repente, como começa a ser normal no meu trabalho. Não querendo explicar ainda esse assunto das temáticas, foco-me aqui a apresentar uma descrição daquilo que foi o acto.


Mas antes disso passo a citar que a ideia inicial baseou-se num instante em que estava perante uma colega de turma, chamada Andreia, que tem uma característica de ter uns cabelos enormes e encaracolados, que parece terem-me servido de musa naquele momento. Então, estando eu com uma bola de tenis dela na minha mão, naquele momento, imaginei algo como a Andreia a jogar ténis sozinha contra uma parede sobre cabelos.


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Durante a realização do trabalho, existiu uma colaboração grande que agradeço ao Gustavo Santos e ao Leandro Valente que se disponibilizaram para me apresentarem o Nicola, responsável pelo espaço dos Silos onde decorreu a instalação performática, assim como à Susana Quevedo e ao Nikolay Komitov que colaboraram no árduo trabalho de limpeza do espaço, ao professor Damas da escola Secundária Raul Proença, director das instalações e material que me disponibilizou três raquetes de tenis para a realização, e por fim, à Joana Bernardo, Andreia Sofia e de novo à Susana Quevedo que foram as grandes performances. Sem me esquecer ainda, por último ao meu colega de turma Horácio que me emprestou o projector para conseguir realizar de melhor forma a ideia original. Sem esperar não me ter esquecido de ninguém passo então a descrever a acção.


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Por fim a sinopse acabou por ser dividida em duas partes, a primeira constituída pela performance da Andreia,da Joana e da Susana que, apenas com a orientação de que iriam improvisar, foram construíndo uma espécie de acção que se foi desenrolando expontanea e intuitivamente. Havia uma espécie de expectativa dos espectadores que esperavam algo acontecer, quando na verdade a performance já acontecia durante a preparação... mas como tudo era por improviso, a Andreia respondeu á expectativa do público e "abriu" a performance em grande atirando uma bola de tenis ao público.



Um "intervalo" sucedeu-se e ficou a instalação, os objectos ficaram "em cena" assim como foram deixados... os visitantes apareciam e não percebiam o que se passava... alguns perguntavam, qual o conceito, e eu explicava que tinha ali acontecido uma performance e que era "intervalo" (apesar desta palavra invalidar um pouco a instalação presente).

Apercebi-me que talvez o nome Microcosmos Capilar não tivesse sido bem escolhido, o certo seria talvez "A Andreia e a Bola", que no fundo reflecte a essencia do trabalho, pois este partiu exactamente da Andreia e seus cabelos que um dia, na ESAD, trazia com ela uma bola de tenis. Gostaria também que o público pisasse os cabelos, passasse pela experiência de pisar uma superfície a qual não estivesse habituado, coisa que não aconteceu durante a primeira parte. Como a improvisação era a demanda do espectaculo, e sendo as máquinas parte integrante deste, acabaram elas por decidir o fim desta acção, quando o projector anunciou que a gravação tinha parado automaticamente.



Entretanto, um à vontade foi surgindo e a instalação foi começando a ganhar acção através da participação dos expectadores que chegavam e jogavam connosco tenis, pois percebiam que já poderiam participar.... tentando evitar acertar nas performers que agora estavam sentadas, encostadas à parede com grandes possibilidades de "levarem com ela em cima".

(CONTINUA...)