












Estes registos pertencem à noite de ontem, a qual apliquei fisicamente uma ideia, - em pequena escala, - das muitas que me surgem, por vezes em sequência e sem necessidade aparente. Os post-its colocados numa das paredes da minha actual residência revelam isso.Este foi um trabalho desenvolvido para o anual evento Caldas Late Night, que ocorre há 15 anos nas Caldas da Rainha, tendo sido originalmente uma necessidade dos alunos da ESAD exporem os seus trabalhos sem limites que a escola impõe. Desta forma resolvi em participar através de uma ideia que me ocorreu de repente, como começa a ser normal no meu trabalho. Não querendo explicar ainda esse assunto das temáticas, foco-me aqui a apresentar uma descrição daquilo que foi o acto.
Mas antes disso passo a citar que a ideia inicial baseou-se num instante em que estava perante uma colega de turma, chamada Andreia, que tem uma característica de ter uns cabelos enormes e encaracolados, que parece terem-me servido de musa naquele momento. Então, estando eu com uma bola de tenis dela na minha mão, naquele momento, imaginei algo como a Andreia a jogar ténis sozinha contra uma parede sobre cabelos.
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Durante a realização do trabalho, existiu uma colaboração grande que agradeço ao Gustavo Santos e ao Leandro Valente que se disponibilizaram para me apresentarem o Nicola, responsável pelo espaço dos Silos onde decorreu a instalação performática, assim como à Susana Quevedo e ao Nikolay Komitov que colaboraram no árduo trabalho de limpeza do espaço, ao professor Damas da escola Secundária Raul Proença, director das instalações e material que me disponibilizou três raquetes de tenis para a realização, e por fim, à Joana Bernardo, Andreia Sofia e de novo à Susana Quevedo que foram as grandes performances. Sem me esquecer ainda, por último ao meu colega de turma Horácio que me emprestou o projector para conseguir realizar de melhor forma a ideia original. Sem esperar não me ter esquecido de ninguém passo então a descrever a acção.
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Por fim a sinopse acabou por ser dividida em duas partes, a primeira constituída pela performance da Andreia,da Joana e da Susana que, apenas com a orientação de que iriam improvisar, foram construíndo uma espécie de acção que se foi desenrolando expontanea e intuitivamente. Havia uma espécie de expectativa dos espectadores que esperavam algo acontecer, quando na verdade a performance já acontecia durante a preparação... mas como tudo era por improviso, a Andreia respondeu á expectativa do público e "abriu" a performance em grande atirando uma bola de tenis ao público.

Um "intervalo" sucedeu-se e ficou a instalação, os objectos ficaram "em cena" assim como foram deixados... os visitantes apareciam e não percebiam o que se passava... alguns perguntavam, qual o conceito, e eu explicava que tinha ali acontecido uma performance e que era "intervalo" (apesar desta palavra invalidar um pouco a instalação presente).
Apercebi-me que talvez o nome Microcosmos Capilar não tivesse sido bem escolhido, o certo seria talvez "A Andreia e a Bola", que no fundo reflecte a essencia do trabalho, pois este partiu exactamente da Andreia e seus cabelos que um dia, na ESAD, trazia com ela uma bola de tenis. Gostaria também que o público pisasse os cabelos, passasse pela experiência de pisar uma superfície a qual não estivesse habituado, coisa que não aconteceu durante a primeira parte. Como a improvisação era a demanda do espectaculo, e sendo as máquinas parte integrante deste, acabaram elas por decidir o fim desta acção, quando o projector anunciou que a gravação tinha parado automaticamente.

Entretanto, um à vontade foi surgindo e a instalação foi começando a ganhar acção através da participação dos expectadores que chegavam e jogavam connosco tenis, pois percebiam que já poderiam participar.... tentando evitar acertar nas performers que agora estavam sentadas, encostadas à parede com grandes possibilidades de "levarem com ela em cima".

(CONTINUA...)